Domingo, 31 de Agosto de 2025

POLÍCIA Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2022, 15:49 - A | A

Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2022, 15h:49 - A | A

'MOMENTOS DE HORROR'

Advogado pede exame toxicológico de delegado que impôs terror à família no Florais do Lago

OAB-MT pediu afastamento, mas Corregedoria já havia determinado a ação por 60 dias, enquanto a sindicância é realizada.

Luciana Nunes/ O Bom da Notícia

Na semana passada, representação feita pelo advogado Rodrigo Pouso - que realiza a defesa da mulher ameaçada pelo delegado Bruno França Ferreira no Florais dos Lagos -, pede à Corregedoria de Polícia Civil, realização de exame toxicológico e suspensão de seu porte de arma. 

A manifestação ainda requer o afastamento do policial de suas funções e pede que o mérito de todas as condutas praticadas por ele, na invasão à casa no Florais, sejam apuradas. Contudo, na última quinta-feira (1), a Corregedoria já havia determinado seu afastamento por 60 dias, enquanto a sindicância é realizada.

A família que teve a casa invadida na última segunda-feira (28), pelo delegado da Polícia Civil,  Bruno França Ferreira - ainda continua muito abalada -, e em conversa com jornalistas detalhou os momento de pânico vividos sob a arma apontada para eles, inclusive para a filha pequena de quatro anos. 

De acordo com a mulher, ela viveu momentos de terror com o delegado tempo todo colocando a arma em sua cabeça e gritando que a mataria, diante da filha que chorava ininterruptamente. 

“O tempo inteiro ele gritava você sabia da medida protetiva. Da próxima vez que você chegar perto do meu filho vou estourar seu miolo […]  Ele gritava cala a boca da sua filha […] Aí a minha filha começa a gritar e dizia para que ele parasse de falar assim com o pai e a mãe […] aí ele foi lá apontou a arma dele para a minha filha”, disse a vítima.

Bruno está sendo acusado de abuso de autoridade e coação, em ação policial contra uma mulher na noite da última segunda-feira (28), que supostamente teria descumprido uma ordem judicial de se aproximar do seu enteado, de 13 anos. 

“Ele estragou a vida de uma família inteira, de um menino de 13 anos e agora, de uma menina de 4, tudo isso por que? Por causa de ego? Para mostrar que está acima da lei? Estamos dormindo fora de casa, porque minha esposa não consegue dormir aqui, minha filha não voltou para casa e não vai voltar tão cedo, porque aqui ela vai lembrar que apontaram uma arma na cabeça dela e da mãe dela. Esses últimos dias foram uma loucura, cheios de prejuízos financeiros, sem contar o prejuízo emocional, que esse é irreparável”, disse o pai.

A família ainda não sabe quando ou se ainda será possível retornar a vida ao normal, mas espera apenas por uma coisa: Justiça!

“Que a justiça fez seja feita, para o delegado para esses meninos sim. Porque aqui tem uma família, é só uma criança ele quer viver. ele tem o direito de ir e vir está na Constituição. Queremos jutiça e que esse menino (enteado do delegado) para de inventar. […] só queremos viver em paz”, disse a vítima emocionada. 

Na quinta-feira (1) o delegado acusado de abuso de autoridade, encaminhou uma nota de esclarecimento para a imprensa onde reconhece que ‘exagerou, pede desculpas e afastamento’ por pelo menos 30 dias do cargo.

Mendes pede apuração 

Em conversa com os jornalistas nesta quinta-feira (30), o governador Mauro Mendes (UB) defende o afastamento do cargo e uma apuração à rigor do delegado.

“Olha a secretaria já respondeu por isso. Eu vou concordar com a nota deles. Tem que ter uma uma apuração realmente altura do que aconteceu, eu acho que eles devem afastar esse delegado fazer uma apuração e dentro daquilo que estabelece a legislação”, explicou.

Corregedoria  e OAB-MT

Também nesta quinta, a Corregedoria Geral da Polícia Civil de Mato Grosso instaurou sindicância administrativa para apurar a conduta do delegado por sua abordagem e determinou o afastamento preventivo do servidor. O procedimento instaurado na Corregedoria busca apurar as condutas praticadas pelo delegado, nesta última segunda, em relação a entrada e abordagem na residência e também posteriormente, na relação hostil ao advogado da família, na Central de Flagrantes de Cuiabá.

A Corregedoria determinou o afastamento preventivo do delegado pelo prazo de 60 dias corridos, podendo o prazo ser prorrogado por igual período. A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT), igualmente, já teria pedido na semana passada, o afastamento preventivo do delegado Bruno França Ferreira do cargo, junto à Corregedoria Geral da Polícia Civil. O requerimento também pede a instauração de Processo Administrativo Disciplinar, para avaliar se a conduta do servidor ao invadir a casa de uma família e apontar uma arma para os moradores condiz com a função que exerce.