Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (30), o delegado Marcel Oliveira,- titular da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa) -, revelou que o casal assassinado[feminicídio e homicídio] pelo pelo empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do deputado federal Carlos Bezerra (MDB), se encontraram pela primeira vez horas antes do crime.
A servidora Thays Machado, 44 anos, era ex-namorada do empresário e havia iniciado um relacionamento pela internet .no dia primeiro deste mês com William Moreno, 30 anos. O casal foi assassinato no dia 18 de janeiro, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Alvorada, em Cuiabá. Cada vítima tomou três tiros.
O delegado explicou que a data em que ambos se conheceram foi descoberta após uma perícia no celular da servidora, e corresponde ao dia 1º de janeiro, data que marca a primeira troca de mensagens.
Numa das conversas, Wiiliam manifestou interesse em comprar um cachorro, pois Thays Machad criava cães da raça Golden e ele estaria querendo comprar um filhote de Golden Retriever. A partir daí, a conversa se aprofundou e ambos passaram a ter um namoro virtual, o que motivou William Moreno vir a Cuiabá para conhecer a família da moça.
Natural de Pedra Preta (244 km de Cuiabá), William Moreno, morava há oito anos em São Paulo, desde a morte de sua mãe.
“A relação deles começou por volta do dia 1º. O Willian, e ela o conheceu pessoalmente no dia 18. William chegou por volta das 3h [no Aeroporto de Várzea Grande]”, revelou o delegado.
“Pelo o que a gente averiguou até o momento, o contato entre eles começou relacionado à venda de cachorros. Ele estava querendo adquirir um filhote de golden, que parece que ela estava vendendo. Eles, então, começaram a conversar e, nessa questão, começaram a estreitar os laços. A família dele que é de Cuiabá, disse que às vezes William vinha para cá e chegou no dia 18, justamente no dia em que morreu, já que morava em São Paulo. Desde que a mãe dele morreu, há oito anos, ele se mudou para lá”, acrescentou.
Naquele dia, Carlos Alberto, que tinha o costume de perseguir a ex-namorada porque não aceitava o fim do relacionamento, seguiu a mulher até o aeroporto e chegou a abordar o casal no trânsito apontando-lhe uma arma de fogo.
Dias antes do crime, Thays Machado havia dito aos colegas de trabalho, no Fórum de Várzea Grande, que estava feliz em iniciar uma nova fase da vida – um novo relacionamento – e o término da relação com Carlos Alberto Gomes Bezerra, que considerava tóxico e prejudicial psicologicamente.
“No dia 9, o dia que ela retornou para o trabalho dela, na Vara de Várzea Grande, dia que terminou o recesso forense... A gente ouviu a chefe dela do trabalho [que] falou que ela chegou ao trabalho super feliz e sorridente falando que tinha terminado o relacionamento tóxico. A Thays estava extremamente feliz no trabalho”, disse o delegado.Aos amigos mais próximos, Thays Machado confidenciou que tinha medo do ex-namorado, classificado como extremamente ciumento e possessivo.
Movido pelo ciúme, Carlos Alberto Gomes Bezerra chegou a arrombar a porta do apartamento de Thays e sempre que saía, ele exigia que ela fizesse gravações de chamadas de vídeo.
Entenda
Thays Machado e Willian Moreno teriam ido, no dia dos assassinatos, ao Edifício Solar Monet para devolver o carro que havia emprestado da mãe para buscar o namorado no aeroporto em Várzea Grande, quando foi baleada e morta junto com William. Ela foi atingida por cerca de três disparos, dois nas costas e um na altura do quadril, vindo a óbito na calçada do edifício, enquanto Willian, mesmo atingido por cerca de três disparos, um no braço esquerdo e dois no peito, ainda tentou fugir do agressor, mas acabou caindo a poucos metros da namorada.
Câmeras de seguranças mostraram que Carlos Alberto Bezerra 'rondava' o prédio desde o início da semana, o que fez a polícia já trabalhar com a premeditação dos crimes.
Reforça esta tese o Boletim de Ocorrência registrado por Thays ainda no dia de sua morte, uma ligação para o 190 ainda nesta madrugada do dia 18 de janeiro, para denunciar que estaria sendo perseguida pelo ex-companheiro e os vários comentários feitos à família que vinha sendo ameaçada de morte. E este já seria o segundo BO.
Ainda no dia dos assassinatos, dezenas de mensagens postadas nas redes sociais, descreviam Thays como uma pessoa querida, alegre e de bom coração. Alguns, mais próximos à vítima, lembraram de que ela 'foi uma mãe incrível, uma excelente profissional e um ser humano de coração gigantesco'. Outros apontaram sua 'vida interrompida de maneira brutal e extremamente covarde', pedindo 'que Justiça fosse feita e que o assassino pague por tamanha crueldade'. E muitos se 'solidarizaram com a dor das famílias'.
Na missa de sétimo dia da servidora da Justiça, no dia 24 de janeiro, o Movimento Conecta junto com coletivos que defendem a causa feminina e lutam contra as ininterruptas agressões e mortes de que as mulheres ainda são alvos, fizeram uma manifestação pedindo justiça à Thays Machado e para seu namorado.
O ato ocorreu em frente a Igreja Mãe dos Homens, antes da missa ser celebrada.