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POLÍCIA Sexta-feira, 29 de Novembro de 2019, 12:31 - A | A

ESTUPRO DESCARTADO

Polícia conclui inquérito, indicia jornalista por crimes sexuais e ele segue preso no Carumbé

O Bom da Notícia

Inquérito da Polícia Civil contra o jornalista Leonardo Heitor Miranda, 38 anos, foi concluido nesta sexta-feira (29), pela delegada Nubya Beatriz Gomes dos Reis. O jornalista e ex-assessor parlamentar vai responder por estupro tentado, importunação sexual, ameaça, gravação não autorizada da intimidade sexual e descumprimento de medida protetiva de urgência. Ele permanece preso no  Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), antigo Presídio do Carumbé, em Cuiabá.

 

O jornalista foi preso na segunda-feira (25) depois de um pedido deferido pela 1ª Vara da Violência Doméstica e Familiar da Capital sob a suspeita de quebrar uma medida protetiva que o proibia de estar em um prédio em que a vítima trabalha, na Avenida do CPA, ainda que ele tenha argumentado que o prédio seria comercial e que teria ido ao local se encontrar com advogados.

 

Leonardo foi investigado na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá por diversos crimes contra a dignidade sexual, sendo que, até agora, estão registrados dez boletins de ocorrências contra ele. 

 

De acordo com a delegada, entre as vítimas relacionadas nos inquéritos uma delas recebeu medida protetiva de urgência, tendo em vista relacionamento amoroso anterior com o suspeito. A medida determinava que o rapaz não poderia se aproximar do local de trabalho e da residência da vítima. Durante as investigações, o investigado descumpriu a medida protetiva por ter comparecido no local de trabalho da vítima e ainda feito ameaça. Ele nega.

 

As diligências investigativas reuniram material probatório com oitivas de diversas testemunhas, análise de material coletado - inclusive cópias das mensagens trocadas entre vítimas e suspeito - e quebras de sigilos que comprovaram que as mensagens partiram de terminal telefônico registrado em nome do suspeito.

  

A Delegacia da Mulher identificou registros de ocorrências de crimes sexuais contra o investigado no estado do Espírito Santo e no Distrito Federal.

 

Quer ir pro CCC

 

Conforme noticiou O Bom da Notícia, a Defensoria teria entrado com o pedido na última quarta-feira (27), após apresentar documentos de sua formação em Comunicação Social, pela Universidade Federal de Mato Grosso. O pedido já foi encaminhado ao diretor da unidade em que o jornalista se encontra e somente após análise ele deverá ser transferido, já que há esta prerrogativa para presos que tenham um curso superior.

 

Entenda o caso

 

Leonardo Heitor Miranda Araújo foi denunciado na Delegacia Especializada da Defesa da Mulher no início de outubro por pelo menos 13 mulheres, muitas delas jornalistas, por importunação sexual e perturbação do sosssego. O jornalista foi acusado pelas vítimas de usar na maioria das vezes, perfis falsos para realizar suas abordagens sexuais, comumente pelo WhastApp, com DDD de outros estados, e ainda com nome e fotos de outra pessoa.

 

Nas abordagens, mandava a foto do pênis [exibindo a performance de que seria proprietário de um pênis avantajado de 24 cm]. E quando bloqueado pelas vítimas continuava importunando-as, utilizando outros números.

 

O jornalista chegou a ser indiciado em Vitória e Vila Velha (ambos no Espírito Santo), onde chegou a morar, por utilizar deste mesmo expediente e já com audiências marcadas para novembro. Há denúncias que o profissional tenha usado desta mesma manobra com colegas de trabalho em Brasília, onde morou por algum tempo.

 

Um destes perfis usados por ele era de um amigo, que chegou a fazer um desabafo no seu Facebook, atônito, com o absurdo do assessor, quanto a utilização de suas fotos e as características de seu biotipo[o nome será mantido em sigilo como forma de também não o expor], para assediar as mulheres, revelando que era moreno e tinha um corpo musculoso e, claro, 24 cm de pênis.

 

Em matéria publicada no site Gazeta Online, de Vitória (ES), uma das vítimas revelou que passou a receber as mensagens por WhatsApp em meados de 2017. "Ele puxou assunto, com chip de São Paulo e me chamando pelo nome. Ele disse que nos conhecemos em um aplicativo de relacionamento. Percebi que tinha algo estanho porque não tenho esse tipo de aplicativo. Minha intuição dizia que aquele perfil era falso. Mas queria descobrir quem era a pessoa que me chamava pelo nome. Fiz algumas perguntas, mas as respostas eram rasas”, afirmou a mulher na entrevista.

 

A mulher conta que bloqueou o número, mas mesmo assim voltou a ser importunada um ano depois. Segundo a Polícia Civil capixaba, era o mesmo jornalista que passou a usar um chip de Brasília.

 

Em Cuiabá, após um artigo publicado em um site da capital, em que uma jornalista revela como teria recebido uma 'cantada rasa' e, assim, teria decidido tornar o assédio em uma análise, por meio de artigo, revelando algumas das citações feitas pelo assessor, muitas outras mulheres que tinham, igualmente, sido assediadas, reconheceram frases comumente utilizadas por ele e, para se certificarem se era a mesma pessoa, acabaram criando um grupo no aplicativo WhastApp. Onde, enfim, após alguns dias trocando informações, souberam se tratar da mesma pessoa. Depois de algumas consultas jurídicas, resolveram quebrar o siêncio, se uniram e fizeram um boletim de ocorrência contra ele.

 

Na época, ao saber das denúncias que estavam sendo feitas contra ele, Leonardo Heitor chegou a encaminhar uma mensagem para várias jornalistas, dentre as quais, aquela que foram importunadas. Em trecho da mensagem ele pede perdão pelos atos cometidos, lembrando que teria perdido tudo na sua vida, após a descoberta de suas importunações sexuais. " [...] Perdi tudo... Perdi amigos e amigas, a mulher que amo, minha dignidade, meu nome, enquanto profissional, meu emprego e até mesmo minha casa[...]".

 

 

Entenda o caso:

 

Jornalista é denunciado por usar perfis falsos para assediar sexualmente colegas em Cuiabá

 

Jornalista que assediou sexualmente colegas é exonerado da AL

 

Jornalista não se exime de culpa por assédio, mas desmente estupro e procura delegacia



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